Adaptação

Novo local para acolhida de quem está nas ruas

Estrutura montada no Colégio Pelotense foi desativada, mas CRAS São Gonçalo irá abrigar até 50 pessoas

Jô Folha -

Depois de cinco meses abrigados em dormitórios improvisados nas salas de aula do Colégio Municipal Pelotense, as pessoas em situação de rua da cidade agora precisam buscar abrigo em um novo endereço: no CRAS São Gonçalo. O serviço passou ao Centro de Referência de Assistência Social, localizado no Navegantes, por conta da proximidade com a data da eleição, que tem o primeiro turno agendado para 15 de novembro. A escola é ponto de votação para mais de sete mil eleitores.

A noite de terça-feira (15) foi a primeira com a acomodação nos novos quartos para as 31 pessoas que buscaram o serviço; demanda mais baixa que o fluxo de cerca de 80 pessoas atendidas por dia no Pelotense. Agora, ao todo, 50 camas em diferentes dormitórios estão reservadas para os moradores em situação de rua, além de chuveiros, máquinas de lavar roupa, atendimento psicológico e jantar.

A grande diferença do novo endereço é o tempo de permanência no local. No CRAS, os frequentadores devem chegar até as 19h, permanecendo no local durante a noite e manhã seguinte. Antes, o espaço do Colégio era destinado à permanência constante, com acesso ao pátio como zona de convivência e saídas para rua. O almoço e a permanência durante o dia retornaram, assim, à rua Três de Maio, onde ficam o Restaurante Popular e Centro Pop.

Conforme estima a diretora do setor de Alta Complexidade da Secretaria de Assistência Social (SAS), Daniela Duarte, a procura pelos dormitórios no Navegantes deve aumentar nos próximos dias. “Toda mudança é assim. Aos poucos o número vai aumentando”, explicou.

Diariamente, um micro-ônibus da SAS percorrerá as ruas da cidade para levar os moradores ao CRAS e, na manhã seguinte, levar ao Centro, garantiu a diretora. A mudança ainda está passando por adaptações, como a adequação das camas aos novos dormitórios, colocação de mais chuveiros e iluminação na área externa do prédio. Isso ocorre porque o novo espaço era destinado às atividades de convivência dos frequentadores do serviço, não existiam banheiros ou um espaço adaptado para moradia, como explicou o diretor do local, José Francisco Luz.

Exposição ao vírus

Rafael, de 24 anos, estava abrigado no Colégio Pelotense e, com a mudança, decidiu abrigar-se novamente na rua, em um canto no entorno da escola. Cabeleireiro que perdeu o emprego por conta da pandemia de Covid-19, ele conta que é de Gramado, na Serra Gaúcha, e precisa retomar as atividades para conseguir retornar para casa. “O pessoal da equipe nos avisou com umas duas semanas de antecedência que o Pelotense precisava ser liberado, pra gente se organizar. Eu tenho ficado aqui, na rua, e com a pandemia fica tudo mais difícil”, contou.

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